Por: Edison Roberto de Gois MUSICOTERAPEUTA

Pós graduado em Musicoterapia pela FACUMINAS

Entenda como a música está humanizando o ambiente hospitalar, reduzindo dor, ansiedade e devolvendo dignidade aos pacientes

A musicoterapia em hospitais é uma prática de cuidado humanizado que utiliza a música para promover a saúde física e emocional de pacientes, familiares e até da equipe médica. Diferente de apenas ouvir música, ela é um processo terapêutico guiado por profissionais formados.

A musicoterapia transforma o ambiente hospitalar de algo “frio” em um espaço de vida. O grande benefício para o paciente é a reumanização: ele deixa de ser apenas um “número de leito” ou um diagnóstico para ser alguém com história e emoções.


Os principais benefícios incluem

Redução de Estresse e Ansiedade: A música ajuda a diminuir os níveis de cortisol (hormônio do estresse), regula a respiração e acalma pacientes antes e depois de cirurgias.

Alívio da Dor: Atua como um estímulo positivo que ajuda a “distrair” o cérebro da dor, podendo reduzir a necessidade de analgésicos em alguns casos.

Melhora do Ambiente Hospitalar: Em locais tensos como UTIs, a musicoterapia substitui o ruído dos aparelhos por sons agradáveis, tornando o ambiente mais silencioso e acolhedor.

Apoio na Reabilitação: Auxilia na recuperação de movimentos pós-AVC, na melhora da fala e na estimulação da memória e cognição.

Bem-estar Emocional: Ajuda a combater a depressão e o isolamento causados por internações prolongadas, proporcionando momentos de alegria e autonomia ao paciente.


Aqui estão três benefícios centrais ilustrados com o tipo de história que acontece diariamente em hospitais

1. Resgate da Identidade e Memória (O “Acordar”)

Pacientes com Alzheimer ou em estados de isolamento profundo muitas vezes parecem “desconectados”. A música acessa áreas do cérebro que a fala não consegue.

A História: Um idoso que não falava há semanas começou a bater o pé no ritmo de uma valsa tocada no violão. Ao final, ele não apenas sorriu, mas conseguiu dizer o nome da esposa, lembrando-se do dia do seu casamento. A música serviu como uma “ponte” para sua própria história.


2. Redução do Medo e da Dor (Anestesia Emocional)

A ansiedade pré-operatória ou a dor crônica podem ser paralisantes. A música altera a percepção do tempo e desvia o foco do sofrimento físico.

A História: Uma criança apavorada com a troca de curativos de uma queimadura começou a tocar um Ocean Disc junto com o terapeuta. O som das “ondas do mar” e a vibração do instrumento a distraíram tanto que ela parou de chorar e permitiu que a enfermeira terminasse o procedimento. O hospital deixou de ser um lugar de dor para ser um lugar de “brincar com sons”.


3. Autonomia e Controle

No hospital, o paciente perde o controle de quase tudo: o que come, que roupa veste, quando acorda. Tocar um instrumento devolve a sensação de poder.

A História: Um paciente jovem em recuperação de um acidente motor sentia-se frustrado pela falta de movimentos. O musicoterapeuta adaptou uma flauta doce para ele. Ao conseguir tirar as primeiras notas, o paciente chorou de alegria. Não era só música; era a prova de que ele ainda podia criar algo e que seu corpo ainda respondia aos seus comandos.


4. Conforto no Final da Vida (Cuidados Paliativos)

A música oferece um encerramento digno e pacífico, ajudando a expressar o que as palavras não dão conta.

A História: Uma família estava reunida em volta de um paciente terminal. O terapeuta tocou suavemente uma música religiosa que era importante para aquela família. O clima de tensão e desespero deu lugar a um momento de despedida serena e oração coletiva, trazendo paz tanto para quem partia quanto para quem ficava.


Esses benefícios mostram que a música não é apenas um “entretenimento”, mas uma ferramenta clínica.

Estudos científicos e revisões integrativas comprovam que a musicoterapia gera melhoras mensuráveis tanto em indicadores emocionais quanto fisiológicos no ambiente hospitalar.


Abaixo estão estatísticas e dados extraídos de pesquisas recentes

1. Indicadores Emocionais (Ansiedade e Estresse)

Redução de Estresse em Profissionais: Um estudo realizado em um hospital no Rio de Janeiro apontou uma diminuição estatística significativa de 60% no nível de estresse em profissionais de saúde após um programa de 12 sessões de musicoterapia.

Alívio da Ansiedade: Pesquisas com pacientes em comunidades hospitalares indicam reduções médias de 2.80 pontos em escalas de ansiedade e 3.48 pontos em escalas de estresse.

Percepção da Equipe: No Great Ormond Street Hospital, 97% dos funcionários relataram que a musicoterapia é extremamente ou muito eficaz na redução do estresse dos pacientes.


2. Indicadores Fisiológicos e Manejo da Dor

Redução da Dor: Estudos mostram uma redução clinicamente significativa na intensidade da dor (média de 2.04 unidades) em pacientes hospitalizados que recebem intervenções musicoterápicas.

Sinais Vitais: Sessões de apenas 15 minutos demonstraram efeitos reais no controle da frequência cardíaca e respiratória, além da redução na necessidade de analgésicos no pós-operatório.

Eficiência das Intervenções: Intervenções que envolvem relaxamento assistido por música e imaginação guiada são 48% mais propensas a reduzir a dor em pelo menos 2 unidades do que apenas ouvir música passivamente.


3. Impacto na Experiência do Paciente

Satisfação e Recomendação: Em programas de música ao leito, cerca de 96% dos pacientes afirmaram que recomendariam fortemente o serviço a outros, destacando efeitos de relaxamento (44.9%) e melhora no humor (37.1%).

Redução de Medicamentos: A prática é reconhecida por órgãos oficiais, como no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, por sua capacidade de reduzir o uso de sedativos e otimizar o tempo de procedimentos médicos.


Aplicação por setores hospitalares

A aplicação da musicoterapia em hospitais é adaptada para as necessidades específicas de cada setor:

1. Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e UTI Neonatal

Controle Ambiental: Substitui o ruído estressante dos aparelhos por sons suaves, tornando o ambiente mais silencioso e menos agressivo.

Bebês Prematuros: Auxilia na recuperação da prematuridade e ajuda a tranquilizar bebês e mães.

Sinais Vitais: Promove a estabilização da frequência cardíaca e pressão arterial e pode reduzir a necessidade de sedativos.


2. Oncologia (Radioterapia e Quimioterapia)

Manejo de Sintomas: Ajuda a controlar náuseas, vômitos e fadiga.

Suporte Emocional: Reduz a ansiedade e a depressão associadas ao tratamento.


3. Pediatria

Humanização e Lúdico: Torna o ambiente menos amedrontador.

Desenvolvimento: Estimula comunicação, coordenação motora e expressão emocional.


4. Maternidade e Centro Obstétrico

Trabalho de Parto: Estratégia não farmacológica para alívio da dor.

Vínculo: Fortalece a conexão entre mãe e recém nascido.


5. Reabilitação e Saúde Mental

Motricidade: Auxilia na recuperação de movimentos.

Psiquiatria: Indicada para depressão, estresse pós traumático e autismo.


6. Cuidados Paliativos

Qualidade de Vida: Foco no conforto físico e emocional e na comunicação com a família.


Conclusão

A musicoterapia consolida se como um pilar indispensável da humanização hospitalar, transcendendo o conceito de entretenimento para atuar como uma intervenção clínica baseada em evidências.

Ao integrar aspectos biológicos, psicológicos e sociais, ela não apenas auxilia no controle de sintomas físicos, mas também resgata a dignidade e a subjetividade do indivíduo em um momento de vulnerabilidade.

O impacto positivo estende se para além do leito, alcançando acompanhantes e equipes multidisciplinares, promovendo ambientes mais saudáveis e processos de cura mais eficientes.

Em suma, a presença do musicoterapeuta no hospital reafirma que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas a busca pelo bem estar integral, onde a harmonia sonora se torna um poderoso agente de recuperação e conforto.

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Nota Corpo São

Este conteúdo foi elaborado com base em evidências científicas, práticas clínicas e diretrizes reconhecidas na área da saúde, com o objetivo de levar informação confiável, acessível e de qualidade ao leitor.

O Corpo São reforça seu compromisso com a promoção da saúde integral, abordando não apenas o aspecto físico, mas também o equilíbrio emocional, mental e humano no processo de cuidado.

A musicoterapia, apresentada neste conteúdo, é reconhecida como uma prática integrativa e complementar, utilizada em diversos contextos hospitalares para contribuir com o bem estar, a humanização do atendimento e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Este material tem caráter informativo e educativo, não substituindo a orientação de profissionais da saúde. Em caso de dúvidas ou necessidades específicas, procure sempre um especialista qualificado.

Referências Bibliográficas e Fontes de Pesquisa

1. Periódicos e Artigos Científicos

  • Brazilian Journal of Health Review: “A musicoterapia como intervenção multidisciplinar na oncologia” e “Impactos da musicoterapia no controle de sinais vitais em ambiente hospitalar”.
  • Revista Práticas Interativas (Uninter): Estudos sobre a eficácia da musicoterapia na redução de estresse e ansiedade em pacientes pré-operatórios.
  • Research, Society and Development (RSD Journal): Revisão integrativa sobre os efeitos fisiológicos da música no pós-operatório e manejo da dor crônica.
  • Journal of Advanced Nursing: Estudos citados sobre a percepção da equipe de saúde (caso Great Ormond Street Hospital).

    2. Instituições de Saúde e Relatórios Clínicos

  • Great Ormond Street Hospital (GOSH): Relatório de eficácia clínica da musicoterapia na pediatria e redução de estresse em funcionários.

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  • Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ): Protocolos sobre a redução do uso de sedativos e humanização no atendimento infantil.
  • Hospital Sírio-Libanês: Documentação sobre programas de humanização e práticas integrativas aplicadas à oncologia.
  • Hospital Português da Bahia: Diretrizes sobre o uso da musicoterapia como suporte emocional em unidades de terapia intensiva.

    3. Órgãos Oficiais e Regulamentação

  • Ministério da Saúde (Brasil): Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares

    (PNPIC) – Inserção da Musicoterapia no SUS.

  • Conselho Nacional de Saúde:Diretrizes sobre cuidados paliativos e suporte espiritual/emocional em fases terminais.
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA): Publicações sobre terapias complementares no suporte ao paciente oncológico.

    4. Bases de Dados Consultadas

  • SciELO (Scientific Electronic Library Online): Pesquisas sobre musicoterapia aplicada à

    reabilitação motora pós-AVC.

  • PubMed / MEDLINE: Estudos internacionais sobre biomarcadores (cortisol) e a influência da música no sistema endócrino.