Alguns hábitos à mesa podem ter mais impacto no desenvolvimento da criança do que muitos pais imaginam.

Seu filho come, está ganhando peso e parece ter energia.

Então está recebendo tudo de que precisa para crescer?

Não necessariamente.

Uma das armadilhas da alimentação infantil é acreditar que barriga cheia significa organismo bem nutrido.

Uma criança pode consumir muitas calorias e, ainda assim, ter uma alimentação pobre em nutrientes importantes.

E durante a infância isso merece atenção.

O corpo está formando ossos, músculos, tecidos e órgãos, além de atravessar diferentes fases de desenvolvimento.

Por isso, a pergunta não é apenas quanto a criança come.

É também:

o que está ocupando espaço no prato dela?

Nenhum alimento sozinho faz uma criança parar de crescer

Antes da lista, uma explicação importante.

Não há evidência de que comer um hambúrguer, tomar refrigerante ou comer um pacote de salgadinhos ocasionalmente faça uma criança ficar mais baixa.

O problema é o padrão alimentar.

Quando produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras e pobres em nutrientes passam a aparecer constantemente, eles podem ocupar o lugar de frutas, verduras, feijão, ovos, carnes, leite e outros alimentos importantes para uma dieta adequada.

A Organização Mundial da Saúde destaca que uma alimentação saudável é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequados e recomenda uma dieta variada, baseada principalmente em alimentos in natura ou minimamente processados.

1. Refrigerantes e bebidas açucaradas

Aqui está um dos primeiros candidatos a sair do consumo cotidiano.

Refrigerantes, refrescos, sucos de caixinha e outras bebidas adoçadas podem fornecer grandes quantidades de açúcar e calorias sem oferecer a mesma densidade nutricional de alimentos importantes.

O problema fica ainda maior quando essas bebidas passam a acompanhar praticamente todas as refeições.

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que o consumo excessivo de açúcar na forma líquida pode contribuir para inadequação nutricional e menor ingestão de nutrientes como cálcio, ferro e vitamina A.

Água deve continuar sendo a principal bebida para matar a sede.

2. Salgadinhos de pacote

São práticos.

São intensamente saborosos.

E muitas crianças adoram.

Mas salgadinhos de pacote estão entre os produtos ultraprocessados que devem ser evitados na alimentação habitual das crianças.

O problema não é apenas o que eles possuem.

É também o que deixam de oferecer quando substituem uma refeição ou lanche nutricionalmente melhor.

Um salgadinho no lugar de fruta, ovo, iogurte natural ou uma refeição caseira é uma troca nutricionalmente ruim quando se torna rotina.

3. Biscoitos recheados e bolinhos industrializados

A embalagem pode mostrar leite, cereais, vitaminas e até personagens infantis.

Isso não transforma o produto em uma boa base para a alimentação.

Biscoitos recheados, bolinhos prontos e diversos produtos semelhantes costumam combinar açúcar, gorduras e farinhas refinadas e estão entre os ultraprocessados citados pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

O problema novamente está na frequência.

Um biscoito não determina o crescimento de uma criança. Uma alimentação construída em torno desses produtos é outra história.

4. Doces e guloseimas em excesso

Chocolate, bala, pirulito e sorvete podem fazer parte de momentos da infância.

Não precisamos transformar uma festa de aniversário em consulta nutricional.

O problema aparece quando o doce deixa de ser eventual e passa a ocupar diariamente o espaço de alimentos mais nutritivos.

A OMS recomenda limitar açúcares livres durante toda a vida e destaca que uma alimentação saudável deve combinar adequação, equilíbrio, moderação e diversidade.

Não transforme refrigerante, chocolate ou hambúrguer em vilões absolutos.

O que merece atenção é a rotina.

Nenhum desses alimentos isoladamente determina a altura de uma criança. O problema começa quando produtos nutricionalmente pobres passam a ocupar diariamente o espaço dos alimentos que fornecem proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes necessários ao organismo em desenvolvimento.

Para crianças menores de dois anos, a recomendação brasileira é ainda mais rigorosa: o Ministério da Saúde orienta não oferecer açúcar e alimentos ultraprocessados nessa fase.

5. Fast food e refeições prontas com muita frequência

Hambúrgueres industrializados, nuggets, pizzas congeladas, macarrão instantâneo e outros produtos prontos podem facilitar a vida corrida das famílias.

Mas não deveriam se tornar a base da alimentação infantil.

Muitos desses produtos apresentam quantidades elevadas de sódio, gorduras ou outros ingredientes característicos dos ultraprocessados, ao mesmo tempo em que reduzem a variedade alimentar quando substituem repetidamente comida de verdade.

A própria Sociedade Brasileira de Pediatria inclui vários desses produtos entre os ultraprocessados que devem ser evitados.

6. Cuidado também com os alimentos que parecem “infantis”

Aqui mora uma armadilha.

Nem todo produto com desenho infantil, personagem famoso ou alegação de vitaminas na embalagem é nutricionalmente interessante.

Entre os ultraprocessados consumidos por crianças podem aparecer cereais açucarados, bebidas lácteas adoçadas, achocolatados, biscoitos e outros produtos vendidos justamente para esse público.

O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras alerta que alguns ultraprocessados são percebidos como produtos infantis e saudáveis apesar de sua composição.

A frente da embalagem vende o produto. A lista de ingredientes ajuda a contar outra parte da história.

Então o que colocar no lugar?

A resposta não precisa ser sofisticada.

Muitos dos melhores alimentos para uma criança crescer adequadamente já fazem parte da alimentação tradicional brasileira:

arroz e feijão

ovos

carnes e peixes

leite e derivados, quando apropriados

frutas

verduras e legumes

mandioca, batata e outros tubérculos

cereais e leguminosas

O Ministério da Saúde recomenda que a alimentação das crianças tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados, além de orientar a redução de bebidas açucaradas e ultraprocessados.

E atenção: uma criança acima do peso também pode comer mal

Esse ponto é especialmente importante.

Excesso de calorias não é sinônimo de excesso de nutrientes.

Uma dieta pode fornecer muita energia e, ao mesmo tempo, apresentar pouca variedade e qualidade nutricional.

Por isso, olhar apenas para o peso da criança não permite concluir que sua alimentação está adequada.

O crescimento infantil deve ser acompanhado pelo pediatra por meio de peso, altura, velocidade de crescimento, histórico familiar e outros aspectos da saúde.

Como está a alimentação das crianças na sua casa?

Compartilhe este conteúdo com outros pais e responsáveis. Pequenas mudanças na rotina alimentar da família podem ajudar a construir hábitos que serão levados para muitos anos.

Nota Corpo São

Nenhum alimento isolado faz uma criança parar de crescer. O crescimento infantil depende de genética, alimentação, saúde, fatores hormonais e outros aspectos do desenvolvimento.

O risco está principalmente em uma alimentação desequilibrada e mantida por longos períodos, especialmente quando produtos de baixo valor nutricional substituem alimentos importantes para o organismo em crescimento.

Se houver preocupação com a altura, o peso ou a velocidade de crescimento da criança, procure o pediatra. Não utilize vitaminas, suplementos ou estimulantes de crescimento sem orientação profissional.

Como está a alimentação das crianças na sua casa?

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Fontes e links

A Organização Mundial da Saúde — Healthy Diet, em atualização de janeiro de 2026, destaca a importância da alimentação adequada, equilibrada, moderada e diversificada e traz recomendações específicas para crianças. Organização Mundial da Saúde