Por Dra Michele de Andrade Gouveia – Analista do Comportamento e Sexóloga CRP:08/15277

A ejaculação retardada acontece quando o homem tem dificuldade ou não consegue ejacular durante o sexo, mesmo com estímulos e vontade. Isso ocorre quando ele leva mais tempo do que gostaria para ejacular.

O DSM-5-TR, manual utilizado por profissionais da saúde mental, não define um tempo exato para considerar a ejaculação como retardada. O que realmente importa é o quanto essa situação causa incômodo, sofrimento emocional e impacto no relacionamento.

É comum que alguns homens consigam ejacular durante a masturbação, mas enfrentem dificuldades quando estão com uma parceria. Isso pode gerar frustração, insegurança e desgaste emocional, causando sofrimento para ambos.

Esse transtorno pode se manifestar como um atraso prolongado na ejaculação ou, em casos mais extremos, como a anejaculação, quando o homem não consegue ejacular de forma alguma.

No geral, muitos homens com ejaculação retardada não apresentam dificuldades para conseguir ou manter a ereção, mas frequentemente relatam uma sensação de insatisfação sexual, além de ansiedade intensa relacionada ao desempenho.

Quais são as causas?

As causas da ejaculação retardada podem ser psicológicas, emocionais ou relacionais.

Entre os fatores psicológicos mais comuns estão:

Ansiedade de desempenho
• Conflitos no relacionamento, como brigas e ressentimentos
• Traumas do passado, incluindo abuso sexual na infância
• Educação sexual rígida ou repressora

Outros fatores emocionais também podem influenciar, como:

• Medo da gravidez
• Receio de perder o controle
• Medo de rejeição ou abandono
• Fantasias e expectativas irreais influenciadas pela pornografia

Muitos homens acabam internalizando padrões irreais sobre sexualidade e aparência física, acreditando que precisam viver experiências “perfeitas”. Quando a realidade não corresponde a essas expectativas, o desejo pode ser afetado.

Por isso, é importante redefinir a forma como o desejo e a sexualidade são compreendidos, buscando uma vivência mais saudável, humana e acolhedora.

Além disso, quando a excitação está associada a interesses que a própria pessoa considera “errados” ou “estranhos”, sentimentos como culpa, vergonha e medo podem surgir e interferir diretamente na resposta sexual.

Ter um espaço seguro para conversar sobre desejos, fantasias e inseguranças é fundamental. Isso ajuda a reduzir a culpa, aumentar a aceitação e favorecer uma relação mais saudável com a própria sexualidade.

O apoio da parceria faz diferença

O apoio da parceria é extremamente importante durante esse processo. A compreensão, o diálogo e o acolhimento podem ajudar a diminuir a pressão emocional e fortalecer a intimidade do casal.

A terapia sexual pode ajudar a:

Entender melhor a própria sexualidade, como o desejo foi construído e como o corpo responde à excitação;

• Lidar com questões que podem diminuir a libido, como problemas no relacionamento, estresse, ansiedade e depressão;

• Rever e ampliar o repertório sexual, favorecendo formas de estimulação mais adequadas e satisfatórias;

• Trabalhar sentimentos de medo, vergonha e autocrítica;

• Melhorar a comunicação, a intimidade e a conexão com a parceria.

A saúde sexual também faz parte da saúde emocional e merece atenção, acolhimento e cuidado.

Dra. Michele de Andrade Gouveia é psicóloga, sexóloga e terapeuta sexual, dedicada ao cuidado da saúde emocional, dos relacionamentos e da sexualidade humana. Seu trabalho busca ajudar pessoas e casais a compreenderem melhor seus desejos, inseguranças e dificuldades íntimas, promovendo mais acolhimento, autoconhecimento e qualidade de vida.

Em suas redes sociais, Dra. Michele compartilha conteúdos educativos sobre saúde sexual, ansiedade, relacionamentos, autoestima e bem-estar emocional de forma acessível, humana e informativa.

 Instagram: @psicologa_michelegouveia

Nota Corposão

As informações deste conteúdo possuem caráter exclusivamente educativo e informativo, não substituindo avaliação médica, psicológica ou acompanhamento profissional especializado. Problemas relacionados à saúde sexual podem envolver fatores físicos, emocionais e relacionais, exigindo análise individualizada.

Caso os sintomas persistam ou estejam causando sofrimento emocional, dificuldades no relacionamento ou impacto na qualidade de vida, procure orientação com profissionais qualificados, como médico urologista, psicólogo ou terapeuta sexual.

O Corpo São reforça a importância do cuidado com a saúde física, emocional e sexual, promovendo informação responsável, acolhimento e bem-estar.

Referências

CATELAM, R. F. (2022). O que você precisa saber sobre disfunções sexuais e tem medo de perguntar. Novo Hamburgo: Editora Sinopsys.

INSTITUTO PAULISTA DE SEXUALIDADE. Aprimoramento da saúde sexual: manual de técnicas de terapia sexual.

ZWIELEWSKI, Graziele; CRUZ, Moraes R. (2024). Disfunções Sexuais. Editora Hogrefe.