Introdução
Por Dra. Michele de Andrade Gouveia
Psicóloga e Sexóloga
CRP: 08/15277
O desinteresse pela atividade sexual pode estar relacionado à falta de libido, um tema mais comum do que se imagina e que ainda gera dúvidas, inseguranças e até sofrimento emocional.
A libido refere-se ao desejo sexual, sendo um termo abrangente que não envolve somente o impulso sexual, mas também a disposição e o interesse que uma pessoa sente em relação à atividade sexual.
Ela é influenciada por diversos fatores, incluindo:
- Aspectos orgânicos (doenças, alterações hormonais)
- Fatores emocionais e psicológicos
- Influências sociais e culturais
Sem dúvida, o desejo sexual é um dos domínios mais complexos da vida humana, pois recebe influências de todas as esferas.
Principais causas da baixa libido
Fatores emocionais e psicológicos
Entre as causas mais comuns, destacam-se:
- Ansiedade
- Depressão
- Estresse do cotidiano
- Dificuldades no relacionamento
Além disso, traumas como abuso sexual e violência em relações íntimas podem impactar profundamente o desejo sexual.
Após essas experiências, é comum surgirem:
- Crenças negativas sobre sexualidade
- Emoções intensas e desconfortáveis
- Dificuldades de excitação e orgasmo
Autoimagem e fatores sociais
Estudos mostram que:
- Baixa autoestima
- Autoimagem negativa
interferem diretamente na libido.
Além disso, fatores culturais também exercem grande influência, já que a sexualidade foi historicamente tratada como tabu.
A falta de educação sexual adequada contribuiu para:
- Mitos
- Crenças errôneas
- Visões negativas sobre o desejo sexual
Diferenças entre homens e mulheres
A baixa libido pode se manifestar de formas diferentes entre os gêneros.
Historicamente, as mulheres foram mais reprimidas sexualmente, o que levou à construção de crenças equivocadas, como:
- A obrigação de estar sempre disponível ao parceiro
Essas pressões podem impactar diretamente a disposição e o desejo sexual feminino.
Sintomas da baixa libido
De acordo com o DSM-5-TR, os principais sinais incluem:
- Ausência ou redução do interesse pela atividade sexual
- Redução ou ausência de pensamentos/fantasias sexuais
- Falta de iniciativa para atividades sexuais
- Baixa receptividade ao parceiro
- Redução do prazer durante o sexo
- Pouca resposta a estímulos sexuais
Quando esses critérios estão presentes:
- Em mulheres: pode ser diagnosticado como transtorno do interesse/excitação sexual
- Em homens: transtorno do desejo sexual hipoativo
Ambos impactam diretamente o bem-estar emocional e os relacionamentos.
Tratamento da baixa libido
O tratamento deve considerar o indivíduo de forma biopsicossocial, ou seja, integrando corpo, mente e contexto de vida.
Terapias com evidência científica
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
- Terapia Cognitiva Sexual (TCS)
Essas abordagens ajudam a:
- Identificar padrões emocionais
- Reestruturar crenças
- Melhorar a relação com a sexualidade
Abordagem multidisciplinar
Em alguns casos, é necessário:
- Avaliação médica
- Investigação hormonal
- Tratamento de condições associadas
Importância da relação e comunicação
A terapia também trabalha:
- Comunicação do casal
- Dinâmica relacional
- Ajustes no repertório sexual
Estilo de vida saudável
Hábitos saudáveis influenciam diretamente a libido:
- Alimentação equilibrada
- Exercícios físicos
- Sono de qualidade
- Redução do álcool
- Controle do estresse
Quando procurar ajuda?
A libido pode variar ao longo da vida — e isso é natural.
No entanto, é importante buscar ajuda quando:
- Afeta o bem-estar
- Impacta o relacionamento
- Gera sofrimento emocional
- Existe dúvida se é algo normal ou persistente
Conclusão
A baixa libido é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos fatores.
Mais do que um problema isolado, ela pode refletir aspectos emocionais, relacionais e até físicos.
O caminho mais eficaz envolve:
- Autoconhecimento
- Acolhimento
- Apoio profissional especializado
Cuidar da sexualidade é também cuidar da saúde integral.
Referências
- CARVALHO, Antônio; SARDINHA, Aline. Terapia cognitiva sexual: uma proposta integrativa na psicoterapia em sexualidade. São Paulo: Editora Cognitiva, 2017.
- AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2022.
- ZWIELEWSKI, Graziela; CRUZ, Roberto Moraes. Disfunções sexuais. São Paulo: Hogrefe, 2024.
Autora
Dra. Michele de Andrade Gouveia
Psicóloga e Sexóloga
CRP: 08/15277
Mestre em Psicologia Forense
Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva
Formação em Sexologia Aplicada e Terapia Cognitiva Sexual
Atuação clínica com foco em:
- Transtornos emocionais
- Questões comportamentais
- Relacionamentos
- Sexualidade
Site: https://www.michelegouveiapsi.com
Instagram: https://www.instagram.com/psicologa_michelegouveia
Nota Corpo São
Apesar deste artigo ser escrito por um profissional especialista qualificado, seu conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substituindo avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado.
O Corpo São reforça que cada pessoa possui características únicas, e questões relacionadas à saúde física, mental e sexual devem ser analisadas por profissionais habilitados, de forma personalizada.
Se você apresenta sintomas ou dúvidas sobre o tema abordado, procure orientação de um especialista.