Quem sofre com enxaqueca sabe: não é só uma dor de cabeça
Para milhões de pessoas, a enxaqueca é muito mais do que uma simples dor. Ela pode interromper o trabalho, os estudos, momentos de lazer e até atividades básicas do dia a dia.
As crises podem durar horas ou até dias e vir acompanhadas de sintomas como:
- dor intensa e pulsante
- sensibilidade à luz
- sensibilidade ao som
- náuseas e vômitos
- tontura
- dificuldade de concentração
- alterações visuais
Agora, uma nova geração de medicamentos está trazendo esperança para quem convive com esse problema.
Por que a enxaqueca acontece?
A enxaqueca é uma doença neurológica complexa que envolve alterações em nervos, vasos sanguíneos e substâncias químicas do cérebro.
Durante uma crise, ocorre a liberação de moléculas inflamatórias que contribuem para a dor e outros sintomas.
Uma das substâncias mais importantes nesse processo é o CGRP (Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina).
Foi justamente a descoberta do papel do CGRP que abriu caminho para tratamentos inovadores.
O que há de novo no tratamento?
Nos últimos anos surgiram medicamentos desenvolvidos especificamente para prevenir e controlar a enxaqueca.
Diferentemente de muitos tratamentos antigos, que foram criados para outras doenças e depois adaptados para a enxaqueca, os novos medicamentos atuam diretamente nos mecanismos envolvidos nas crises.
Entre eles estão medicamentos como:
- Erenumabe
- Fremanezumabe
- Galcanezumabe
- Atogepante
Esses medicamentos bloqueiam a ação do CGRP ou de seus receptores, ajudando a reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Novo Medicamento Contra Enxaqueca Chega ao Brasil e Chama Atenção dos Neurologistas
Um dos medicamentos mais novos liberados recentemente no Brasil para enxaqueca é o Nurtec ODT, cujo princípio ativo é o rimegepanto.
A aprovação foi anunciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em maio de 2026. O medicamento pode ser usado tanto para o tratamento da crise de enxaqueca quanto para a prevenção de crises recorrentes, algo que chamou bastante atenção de neurologistas.
O diferencial é que ele pertence à nova classe dos gepants, medicamentos desenvolvidos especificamente para bloquear a ação do CGRP, proteína diretamente envolvida no mecanismo da enxaqueca. Diferente de alguns tratamentos mais antigos, ele não provoca vasoconstrição, podendo ser uma alternativa importante para certos pacientes.
Os resultados chamaram a atenção dos especialistas
Estudos clínicos mostraram que muitos pacientes conseguem:
- reduzir significativamente o número de crises mensais
- diminuir a intensidade da dor
- reduzir o uso de analgésicos
- melhorar a qualidade de vida
- retomar atividades que antes eram limitadas pela doença
Para algumas pessoas, a melhora é percebida já nos primeiros meses de tratamento.
Mas eles funcionam para todo mundo?
Não.
Assim como acontece com qualquer tratamento médico, os resultados podem variar de pessoa para pessoa.
Alguns pacientes apresentam excelente resposta, enquanto outros podem ter benefícios mais modestos.
Por isso, a avaliação de um neurologista continua sendo fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica.
Existem efeitos colaterais?
De modo geral, os novos medicamentos são considerados seguros e bem tolerados.
No entanto, alguns pacientes podem apresentar:
- reação no local da aplicação
- constipação intestinal
- fadiga
- desconfortos gastrointestinais
- reações alérgicas raras
Toda medicação deve ser utilizada com acompanhamento profissional.
O desafio ainda é o custo
O rimegepanto (Nurtec ODT) foi aprovado pela Anvisa recentemente, mas ainda está em fase inicial de chegada ao mercado brasileiro e o preço oficial no Brasil ainda não foi amplamente divulgado pelas farmácias.
Mesmo assim, especialistas estimam que ele possa chegar com valor semelhante ou até superior aos medicamentos mais modernos para enxaqueca já disponíveis no país.
Estimativas atuais apontam:
- 1 caixa pode custar entre R$ 800 e R$ 2.000, dependendo da quantidade de comprimidos e da política comercial quando o produto for lançado nas farmácias.
- Em mercados internacionais, o tratamento é considerado de alto custo, especialmente sem cobertura de seguro de saúde.
Outro detalhe interessante:
O Nurtec ODT chama atenção porque é um comprimido que dissolve na boca sem necessidade de água, podendo ser usado tanto para tratar a crise quanto para ajudar na prevenção da enxaqueca em alguns pacientes.
Quando a Pfizer divulgar oficialmente os preços para venda nas farmácias brasileiras, os valores podem variar conforme região, convênios, programas de desconto e quantidade de comprimidos na embalagem.
Apesar dos avanços, um dos maiores obstáculos ainda é o preço.
Muitos desses tratamentos possuem custos elevados, o que pode limitar o acesso para parte da população.
Por esse motivo, pesquisadores continuam buscando alternativas mais acessíveis para ampliar o alcance dessas terapias.
Os novos medicamentos para prevenção da enxaqueca ainda têm preços considerados altos no Brasil, principalmente os anticorpos monoclonais que atuam no CGRP.
Valores aproximados encontrados atualmente:
| Medicamento | Valor médio por aplicação |
|---|---|
| Galcanezumabe (Emgality) | entre R$ 1.000 e R$ 1.600 |
| Fremanezumabe (Ajovy) | entre R$ 1.200 e R$ 2.000 |
| Erenumabe (Pasurta) | geralmente entre R$ 1.200 e R$ 2.000 |
| Atogepante | valor pode variar conforme disponibilidade e importação |
Alguns tratamentos exigem uma aplicação por mês, enquanto outros podem ter esquemas diferentes definidos pelo neurologista. Isso faz com que o custo anual possa ultrapassar R$ 12 mil a R$ 20 mil, dependendo do medicamento e da dose utilizada.
Outro ponto importante é que alguns pacientes conseguem acesso por:
- plano de saúde (em situações específicas)
- ações judiciais
- programas de suporte de laboratórios
- protocolos médicos especiais
Existem inclusive decisões judiciais envolvendo cobertura de medicamentos como Ajovy, Emgality e Pasurta para pacientes com enxaqueca crônica refratária.
Quem deve procurar ajuda?
Muita gente convive com crises frequentes e acredita que isso é normal.
Mas alguns sinais merecem atenção:
- dores de cabeça recorrentes
- necessidade constante de analgésicos
- crises que atrapalham trabalho ou estudos
- sensibilidade intensa à luz ou ao som
- episódios de náusea associados à dor
Nesses casos, procurar um neurologista pode fazer toda a diferença.
Estamos diante de uma nova era no tratamento da enxaqueca?
Os avanços recentes representam um dos maiores progressos já vistos no tratamento da enxaqueca.
Embora não exista uma cura definitiva, os novos medicamentos oferecem uma perspectiva muito mais promissora para milhões de pessoas que convivem diariamente com a doença.
Para quem já tentou diversas opções sem sucesso, essa nova geração de tratamentos pode representar uma mudança significativa na qualidade de vida.
Você sofre com enxaqueca ou conhece alguém que enfrenta crises frequentes? Compartilhe este artigo e ajude mais pessoas a conhecerem os avanços que estão transformando o tratamento dessa condição.
Nota Corpo São
O Corpo São reforça que dores de cabeça frequentes não devem ser ignoradas. O diagnóstico correto da enxaqueca e a escolha do tratamento adequado devem ser realizados por um médico, preferencialmente neurologista. Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional.
Fontes, Referências e Links
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Aprovação do novo medicamento para enxaqueca Nurtec ODT (rimegepanto)
Anvisa – Novo medicamento para enxaqueca - Conselho Federal de Farmácia — Explicação sobre a aprovação do Nurtec ODT e seu uso para tratamento e prevenção das crises
Conselho Federal de Farmácia – Novo medicamento para enxaqueca - Portal Afya — Anvisa aprova medicamento para tratamento e prevenção da enxaqueca
Afya – Enxaqueca e novo tratamento - Anvisa — Lista oficial de novos medicamentos e indicações aprovadas no Brasil
Anvisa – Novos medicamentos e indicações - Artigo sobre os novos tratamentos para enxaqueca e medicamentos que atuam no CGRP
Novos medicamentos para enxaqueca - Explicação médica sobre gepants, nova classe de medicamentos para enxaqueca
Gepants e os novos horizontes no tratamento da enxaqueca - Reportagem sobre o primeiro medicamento desenvolvido especificamente para prevenção da enxaqueca aprovado no Brasil
Folha – Medicamento para prevenção da enxaqueca - Reportagem sobre a aprovação do erenumabe para prevenção da enxaqueca
Veja Saúde – Medicamento inédito para enxaqueca
Referências Científicas
- Sociedade Internacional de Cefaleia (International Headache Society)
International Headache Society - Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA (PubMed) — Estudos sobre CGRP e enxaqueca
PubMed – Migraine and CGRP Research - Organização Mundial da Saúde (OMS) — Informações sobre cefaleias e impacto global da enxaqueca
World Health Organization – Headache Disorders