O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neuropsiquiátrico crônico caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade em níveis acima do esperado para a idade (APA, 2002).
Nas últimas décadas, além dos fatores biológicos e ambientais já conhecidos, um novo elemento passou a influenciar o desenvolvimento infantil: o uso precoce e excessivo de telas. Esse fenômeno levanta questionamentos importantes sobre seu impacto na atenção, comportamento e desempenho escolar.
Evolução e Impacto do TDAH ao Longo da Vida
O TDAH é um transtorno crônico, podendo afetar o indivíduo em todas as fases da vida.
- Entre 30% e 60% dos casos persistem na vida adulta.
Na infância:
- Dificuldades escolares
- Baixa autoestima (até cerca de 7 anos)
- Problemas de comportamento
Na pré-adolescência (até 11 anos):
- Déficits em habilidades sociais
- Atrasos acadêmicos
Na adolescência e vida adulta:
- Comportamento desafiador
- Risco de evasão escolar
- Uso de substâncias
- Dificuldades profissionais e relacionais
Além disso, crianças com TDAH são frequentemente punidas, o que pode gerar frustração, agressividade e piora comportamental.
Impacto Familiar e Social
O impacto do TDAH não se restringe à criança — ele afeta toda a família.
Estudos mostram:
- Maior estresse parental
- Insatisfação com o papel de pais
- Maior risco de depressão materna
- Aumento do consumo de álcool na família
O convívio pode ser marcado por:
- Conflitos
- Desgaste emocional
- Dificuldade na disciplina
TDAH e Dificuldade Escolar no Brasil
A dificuldade escolar é uma das queixas mais frequentes em consultórios pediátricos.
Dados importantes:
- 75,24% da população brasileira é alfabetizada
- Repetência ainda elevada (21,6%)
- Até 39% na 1ª série
O desempenho escolar depende de:
- Estrutura da escola
- Apoio familiar
- Condições individuais
O TDAH é um dos fatores médicos associados ao baixo rendimento escolar, mas ainda há escassez de dados nacionais detalhados.
Aspectos Médicos Importantes
Antes de concluir um diagnóstico de TDAH, é essencial investigar:
- Problemas visuais
- Problemas auditivos
- Desenvolvimento psicomotor
- Nutrição
Fatores envolvidos no TDAH:
- Genéticos
- Ambientais
- Psicossociais
A identificação precoce melhora significativamente o prognóstico.
O Impacto das Telas no TDAH
O uso de telas tem começado cada vez mais cedo. Estudos indicam que o uso excessivo pode causar:
- Déficit de atenção
- Prejuízo nas funções executivas
- Dificuldade de autorregulação
Além disso:
- Muitas famílias utilizam telas como forma de controle comportamental
- Há substituição de interações humanas
No contexto brasileiro e sul-americano:
- Desigualdade educacional
- Falta de orientação sobre uso saudável
Tratamento do TDAH
O tratamento deve ser global e interdisciplinar:
Intervenções psicossociais
- Psicoterapia
- Psicopedagogia
- Fonoaudiologia
Apoio familiar
- Regras claras
- Rotina estruturada
- Redução de estímulos
Estratégias escolares
- Adaptação de atividades
- Mais tempo para tarefas
- Ambiente com menos distrações
Tratamento medicamentoso
- Estimulantes (ex: metilfenidato)
- Antidepressivos
- Clonidina
Os medicamentos ajudam no controle dos sintomas, mas não curam o transtorno.
Análise Prática: O Que Fazer Quando a Criança Tem Dificuldades Escolares e Sintomas de TDAH?
1. Observe com atenção, sem rotular
Nem toda criança agitada tem TDAH. O uso de telas pode imitar sintomas.
2. Regule o uso de telas
- Estabeleça limites diários
- Evite antes de dormir
- Incentive atividades físicas
3. Procure avaliação profissional
- Pediatra
- Neuropediatra
- Psicólogo
- Psicopedagogo
4. Crie uma rotina estruturada
Crianças com TDAH respondem melhor à previsibilidade.
5. Fortaleça a parceria com a escola
A comunicação entre família e professores é essencial.
6. Invista em intervenção precoce
- Reduz prejuízos emocionais
- Melhora o desempenho escolar
- Favorece habilidades sociais
Conclusão
O TDAH é um transtorno complexo e multifatorial. O uso excessivo de telas não é a causa única, mas pode agravar sintomas e dificultar o desenvolvimento da atenção.
O caminho mais eficaz envolve:
- Diagnóstico precoce
- Intervenção multidisciplinar
- Participação ativa da família e da escola
Mais do que tratar o transtorno, é essencial compreender a criança, acolher suas dificuldades e potencializar suas capacidades.
Referências
- APA (2002)
- Harpin, V. (2005)
- Fowler, M. (1992)
- Weis, G. & Hechtman, L. (1993)
- McGough, J. & Barkley, R. (2004)
- Mattos, P. (2001)
- Faraone, S. et al. (1995)
- Podolski, C. & Nigg, J. (2001)
- Christakis, D. (2018)
- Gentile, D. et al. (2017)
- Espinosa, M. et al. (2022)
- Ferreira, T. & Gonçalves, R. (2021)
Autora
Daniele Maria Sedlak Knapp
Psicopedagoga
Atendimento domiciliar e no espaço Motiva Mais
Telefone / WhatsApp: (42) 99812-8499
Instagram: @motivamaisvocepg
Nota Corpo São
O conteúdo deste artigo tem caráter informativo e educacional, não substituindo a avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais da saúde.
O Corpo São reforça a importância de buscar orientação com especialistas qualificados para cada caso, especialmente em situações que envolvam desenvolvimento infantil, saúde mental e dificuldades de aprendizagem.
Cada criança é única, e o acompanhamento individualizado é fundamental para garantir um desenvolvimento saudável e equilibrado.