Muitos pais acreditam que o uso de aparelho odontológico só deve ser avaliado na adolescência, quando todos os dentes permanentes já nasceram. No entanto, diversos problemas no desenvolvimento das arcadas dentárias e dos ossos da face começam muito antes disso e podem ser identificados ainda na infância.
Segundo a American Association of Orthodontists, a primeira avaliação odontológica e ortodôntica é recomendada por volta dos 6 a 7 anos de idade. Nessa fase, a criança geralmente apresenta uma combinação de dentes de leite e dentes permanentes, e os ossos da face ainda estão em crescimento.
Esse período é especialmente importante porque permite não apenas observar o alinhamento dos dentes, mas também avaliar como a maxila e a mandíbula estão se desenvolvendo.
A chamada ortopedia funcional dos maxilares aproveita justamente essa fase de crescimento para estimular e orientar o desenvolvimento adequado das estruturas da face.
Alguns sinais no dia a dia da criança podem indicar que vale a pena buscar uma avaliação profissional.
1 – Respiração pela boca, ronco ou ranger dos dentes durante o sono
Um dos sinais que merece atenção é quando a criança respira predominantemente pela boca, ronca com frequência ou apresenta bruxismo, que é o hábito de ranger os dentes durante o sono.
A respiração bucal, por exemplo, pode influenciar o posicionamento da língua e o crescimento do palato (céu da boca). Quando isso acontece, é comum que o palato se desenvolva de forma mais estreita, o que pode levar à falta de espaço para os dentes permanentes e a alterações na mordida.
Além disso, alterações respiratórias também podem impactar a qualidade do sono e o desenvolvimento facial da criança.
Por essa razão, em muitos casos a avaliação odontológica acontece em conjunto com profissionais da área de otorrinolaringologia.
2 – Mordida aberta, profunda ou cruzada
Outro sinal que costuma chamar a atenção dos pais é quando os dentes superiores e inferiores não se encaixam corretamente ao fechar a boca.
Em algumas crianças, os dentes da frente não se encostam quando a boca é fechada, situação conhecida como mordida aberta.
Em outras, os dentes superiores cobrem excessivamente os inferiores, caracterizando a mordida profunda.
Também pode ocorrer a mordida cruzada, quando alguns dentes inferiores ficam posicionados à frente dos superiores.
Essas alterações muitas vezes não estão relacionadas apenas à posição dos dentes, mas também ao desenvolvimento das bases ósseas da face.
Durante a infância, é possível utilizar aparelhos ortopédicos que ajudam a estimular o crescimento adequado das arcadas, favorecendo um encaixe mais equilibrado entre maxila e mandíbula.
3 – Dificuldade para mastigar, engolir ou falar
Alterações no desenvolvimento das arcadas dentárias também podem interferir em funções importantes da boca.
Algumas crianças apresentam:
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dificuldade para mastigar determinados alimentos
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hábito de empurrar a língua contra os dentes ao engolir
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pequenas alterações na pronúncia de alguns sons
Essas situações podem estar relacionadas ao posicionamento da língua, ao funcionamento da musculatura oral e ao desenvolvimento das estruturas da face.
Por isso, em alguns casos o acompanhamento pode envolver também profissionais da área de fonoaudiologia, que ajudam a reequilibrar essas funções.
4 – Dentes permanentes nascendo fora de posição
Muitos pais procuram avaliação quando percebem que o dente permanente começou a nascer em uma posição diferente da esperada, muitas vezes atrás do dente de leite ou mais para dentro da arcada.
Isso geralmente acontece quando não existe espaço suficiente para acomodar o novo dente.
Também é comum observar:
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dentes muito apinhados
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dentes permanentes que já surgem tortos
Nesses casos, uma avaliação precoce pode identificar se existe necessidade de estimular o crescimento das arcadas para favorecer a erupção adequada dos dentes permanentes.
5 – Perda precoce ou demora na queda dos dentes de leite
Os dentes de leite têm um papel fundamental no desenvolvimento da dentição permanente. Eles funcionam como guias naturais para os dentes que irão nascer posteriormente.
Quando um dente de leite é perdido muito cedo, seja por trauma ou por cárie, os dentes vizinhos podem se movimentar e ocupar o espaço que deveria ser do dente permanente.
Por outro lado, quando os dentes de leite permanecem por muito tempo na boca, também podem interferir na erupção adequada dos dentes definitivos.
Em ambas as situações, o acompanhamento odontológico ajuda a preservar o espaço necessário para o desenvolvimento equilibrado da dentição.
Por que a avaliação precoce é tão importante
Durante a infância, os ossos da face ainda estão em fase ativa de crescimento. Isso significa que muitas alterações podem ser corrigidas ou direcionadas de forma mais simples nessa etapa da vida.
A ortopedia funcional dos maxilares atua justamente nesse momento, estimulando e orientando o crescimento da maxila e da mandíbula, permitindo que o desenvolvimento da face ocorra de maneira mais equilibrada.
Quando essas alterações são identificadas precocemente, muitas vezes é possível:
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favorecer o crescimento adequado das arcadas
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melhorar a respiração
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criar espaço para os dentes permanentes
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contribuir para uma mastigação mais eficiente
Além disso, a intervenção no momento certo pode reduzir a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro.
Em alguns casos, ela pode diminuir a necessidade de tratamentos ortodônticos prolongados na adolescência e até evitar procedimentos mais invasivos na vida adulta, como extrações dentárias ou cirurgia ortognática.
Desconfiou de algum desses sinais em seu filho?
A avaliação precoce pode fazer toda a diferença no desenvolvimento facial da criança.
Muitas alterações que seriam complexas de tratar mais tarde tornam-se muito mais simples quando identificadas e acompanhadas no momento certo.
Durante a infância, a ortopedia funcional dos maxilares permite estimular e direcionar o crescimento das estruturas faciais, favorecendo o desenvolvimento adequado da maxila e da mandíbula.
Observar esses sinais e buscar uma avaliação profissional é um passo importante para promover não apenas o alinhamento dos dentes, mas também um crescimento facial saudável e uma função oral equilibrada.
Autora do artigo
Dra. Isabella Ludgero Mirkoski – CRO 38524 -PR
Dentista e colaboradora do portal Corpo São, dedicada à educação em saúde bucal, prevenção e desenvolvimento saudável das estruturas faciais na infância.
Seu trabalho clínico inclui atendimento odontológico para crianças e adultos, com foco em ortopedia funcional dos maxilares, área que busca orientar o crescimento adequado das estruturas faciais desde a infância.
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